Esse blog é de caráter pessoal e destina-se aos alunos e companheiros interessados em Matemática.
Sendo a internet uma vasta rede de informações que se perde em quantidade de conteúdo, o que pretendemos é juntar todas essas informações em um local que meus alunos possam ter acesso de forma mais simples. Logo para construção desse blog o que estamos fazendo é garimpando na rede tudo que consideramos relevante e postando em um único lugar.

domingo, 20 de maio de 2012

SISTEMAS LINEARES - INTERPOLAÇÃO POLINOMIAL DE LAGRANGE


Interpolação Polinomial de Lagrange

Seja a tabela abaixo:

X

x0
x1
x2
x3

Y

y0
y1
y2
y3


Deseja-se passar um polinômio de grau £ 3, pelos 4 pontos tabelados.
O método de Lagrange constrói 4 polinômios auxiliares do terceiro grau:
L0(x) , L1(x) , L2(x) e L3(x), onde:
L0(x) vale zero nos pontos x1 , x2 , x3 e vale 1 no ponto x0 .
L1(x) vale zero nos pontos x0 , x2 , x3 e vale 1 no ponto x1 .
L2(x) vale zero nos pontos x0 , x1 , x3 e vale 1 no ponto x2 .
L3(x) vale zero nos pontos x0 , x1 , x2 e vale 1 no ponto x3 .
Como serão esses quatro polinômios ?
Vejamos:

Lag_02
Lag_04


Lag_06
Lag_8


Repare que em L0 , no numerador aparece (x-x1)(x-x2)(x-x3), logo, para
x = x1,  x = x2 e x = x3 , o polinômio vale zero.
Para x = x0 , o numerador é igual ao denominador e o polinômio vale 1.
Afirmação semelhante pode ser feita para L1 , L2 e L3 .
Assim, fica imediata a construção de L0 , L1 , L2 e L3.
O polinômio interpolante (de Lagrange)  será:
P(x) = y0 L0(x) + y1 L1(x) + y2 L2(x) + y3 L3(x)
pois:
P(x0) = y0 L0(x0) + y1 L1(x0) + y2 L2(x0) + y3 L3(x0) = y0
pois: L0(x0) = 1     L1(x0) = 0    L2(x0) = 0 e L3(x0) = 0 , por construção.
Da mesma forma, P(x1) = y1 , P(x2) = y2 e P(x3) = y3 .
Logo o polinômio passa pelos pontos tabelados, sendo o polinômio interpolante, pois a solução é única; isto é, há um único polinômio de grau menor ou igual a três que passa nos quatro pontos tabelados.
O polinômio P(x) sendo formado pela soma de quatro polinômios do terceiro grau será necessariamente de grau menor ou igual a três.
Um exemplo:
X
1
2
4
7
Y
3
6
8
12


Lag10
Lag12

Lag14


Lag_16

Assim, P(x) = 3 L0(x) + 6 L1(x) + 8 L2(x) + 12 L3(x)

Para calcular, por exemplo, P(3), faz-se :


P(3) = 3.(3-2)(3-4)(3-7)/(-18) + 6(3-1)(3-4)(3-7)/10 +
+ 8(3-1)(3-2)(3-7)/(-18) + 12(3-1)(3-2)(3-4)/90

P(3) = - 12/18 + 48/10 + 64/18 – 24/90

P(3) = 7,422

SISTEMAS LINEARES - INTERPOLAÇÃO POLINOMIAL


Interpolação Polinomial

Seja a tabela abaixo:

x0
x1
x2
...
xi
...
xn
y0
y1
y2
...
yi
...
yn

formada por n+1 pontos ( xi , yi ).

Trata-se de passar por esses n+1 pontos um polinômio de grau n.
P(x) = an xn + an-1 xn-1 + … + a2 x2 + a1 x + a0
Para tanto, calculam-se os n+1 coeficientes do polinômio P(x), isto é:
an, an-1, ..., a1, a0 , de modo que o polinômio passe pelos n+1 pontos tabelados.
Assim: P(x0 ) = y0 , P(x1 ) = y1 , ... , P(xn ) = yn .
P(x0 ) = an x0 n + an-1 x0 n-1 + … + a2 x0 2 + a1 x0 + a0 = y0
P(x1 ) = an x1 n + an-1 x1 n-1 + … + a2 x1 2 + a1 x1 + a0 = y1
...
P(xi ) = an xi n + an-1 xi n-1 + … + a2 xi 2 + a1 xi + a0 = yi 
P(xn ) = an xn n + an-1 xn n-1 + … + a2 xn 2 + a1 xn + a0 = yn
Tem-se, assim, um sistema de n+1 equações a n+1 incógnitas, onde as incógnitas são, exatamente, os coeficientes  (an , an –1 , ... , a1 , a0 ) do polinômio de grau n.
Matricialmente, podemos escrever:
Lembremos que as incógnitas são os ai ‘s, isto é, os coeficientes do polinômio de grau n.
A matriz X, no caso, é um dado, assim como o vetor Y é também dado, formados, ambos, pela tabela, dada, (xi , yi ).
Mostra-se que o determinante da matriz X vale:
det X = (x0 – x1 ) (x0 – x2 )... (x0 – xn ) (x1 – x2 ).. (x1 – xn ).... (xn-1 – xn )
É o chamado determinante de Vandermonde. Pode-se mostrar que a matriz de Vandermonde é mal-condicionada.
Entretanto, sendo xi ¹ xj para ¹ j , tem-se que o determinante de Vandermonde será ¹ 0. Logo tem-se um sistema de n+1equações com n+1 incógnitas com det ¹0.
Assim a solução é possível determinada, solução única.
Como conclusão, dados n+1 pontos (xi , yi ) , há um único polinômio de grau £ n que passa pelos n+1 pontos tabelados.
Observe que o grau do polinômio é ¹ n, podendo ser do grau 1, se todos os pontos estiverem em linha reta; pode ser do grau 2, se os pontos estiverem sobre uma parábola do segundo grau, etc...

SISTEMAS LINEARES


Convergência dos Métodos Iterativos

Quero lembrar que nos exemplos que apresentei as raízes estão sendo números inteiros e a convergência está se dando rapidamente, fatos que não ocorrerão necessariamente. Na imensa maioria dos casos reais, os valores das raízes xi não serão inteiros. Precisaremos parar quando a precisão estiver dentro da desejada. Isso se dará quando a diferença entre os valores calculados para x1 , x2, x3 , etc... estiverem dentro da precisão desejada.
Para tanto, comparamos os valores obtidos para duas iterações seguidas e vemos se esses valores variaram muito ou se estão quase que se repetindo. Nesse caso, estamos próximos das raízes desejadas.
Assim, abs(xj(i) – xj(i-1) ) deve ser menor que o erro permitido para todas as variáveis xj , onde xj(i)  é o valor calculado para a variável xj após i iterações e xj(i-1) o valor da variável xj após i-1 iterações.

Vejamos, agora, dois exemplos muito simples.
Primeiro exemplo:

5 x1 + 2 x2 = 9
2 x1 + 4 x2 = 10

Vamos resolver por Gauss-Seidel.

x1 = (9 – 2 x2)/5
x2 = (10-2 x1)/4

Seqüência de solução: (0,0) à (1,8 , 1,6) à (1,16 , 1,92) à (1,032 , 1,984) à
(1,0064 , 1,9968) à .......(1,0000 , 2,0000)

É clara a convergência para as raízes x1 = 1   e   x2 = 2.

Vamos, agora, resolver o mesmo sistema, simplesmente trocando as ordens das equações.

2 x1 + 4 x2 = 10
5 x1 + 2 x2 = 9

x1 = (10 – 4 x2) / 2
x2 = (9 – 5 x1) / 2

Partindo de (0,0) , temos a seqüência:
(0,0) à (5 , -8) à (21 , -48) à (101 , -248) .....
Como vemos não há convergência para as raízes 1 e 2 .
O que está acontecendo ?
É, que pena !!! Nem sempre há convergência.
Pode-se demonstrar, que a condição suficiente para convergência é que a matriz A seja Diagonalmente Dominante, o que significa que para cada linha o termo da diagonal principal seja, em módulo, maior ou igual à soma dos módulos dos demais termos dessa linha, garantido que, em pelo menos numa linha, o módulo seja maior.
Essa condição é suficiente mas não necessária, podendo ocorrer convergência sem que a matriz seja diagonalmente dominante.

Seja uma sistema

a11x1 + a12x2 +....+a1nxn = b1
a21x1 + a22x2 +....+a2nxn = b2
.....
an1x1 + an2x2 +....+annxn = bn    

Isolemos x1 na primeira equação, x na segunda, x3 na terceira etc. Temos:
x1  = (b1  - (a12 x2 +....+a1n xn))/ a11
x2  = (b2  - (a2x1 +....+a2n xn))/ a22
.....
xn = (bn – (an1 x1 + an2 x2 +....+ an n-1 xn-1 ))/ ann

Se colocarmos os valores exatos dos xi ‘s no lado direito, obteremos os valores exatos dos xi ‘s no lado esquerdo. Entretanto, estamos entrando com valores incorretos, com erros, logo, obteremos valores incorretos do lado esquerdo.

Assim, os xi ’s com que se entra são xi + ei . Assim,

x1 + e1 = (b1  - (a12 (x2 + e2)+....+a1n (xn + en))/ a11
x2 + e2 = (b2  - (a21(x1 + e1) +....+a2n (xn + en)))/ a22
.....
xn + e= (bn – (an1 (x1 + e1)+ an2 (x2 + e2) +....+ an n-1 (xn-1 + en-1)))/ ann

Assim,
e1 = - (a12 e+....+ a1n en)/ a11
e2 = - (a21 e1 +....+ a2n en)/ a22
....
e– (an1 e1 + an2 e2 +....+ an n-1 en-1)/ ann

Se tomarmos, no lugar dos ei ‘s o erro de maior valor absoluto, seja eM , teremos:

|e1|<|a12 e+....+ a1n eM|/ |a11| < | eM| . (|a12| + .... +| a1n|)/|a11|
|e2|<|a21 eM +....+ a2n eM)|/ |a22| < | eM|.( |a21| + ...+ | a2n|)/| a22|
....
|en| <|an1eM+an2eM+....+ann-1eM|/ |ann| <

< | eM|.(|an1| +| an2| + ... + | an n-1|)/|ann|

Sendo | aii | ³ |ai1| +| ai2| + ... + | ai i-1|
para todos os i’s de 1 a n, temos que o erro de cada nova variável calculada é menor que o maior erro até então existente, mostrando que os erros estão diminuindo.
Com facilidade, demonstra-se que os erros tendem a zero se
| aii | ³ |ai1| +| ai2| + ... + | ai i-1|
para todos os i’s.

SISTEMAS LINEARES - MÉTODO DE GAUSS-SEIDEL


Método de Gauss-Seidel

O método de Gauss-Seidel é uma variante do método de Jacobi, onde se busca acelerar a solução. Para tanto, aplica-se a aproximação inicial ao cálculo de x1, isto é: x1=f1(0,0...0) e em seguida já se utiliza esse novo valor de x1 no cálculo de x2, isto é: x2=f2(x1,0..0) e assim por diante. Em princípio esse método tende a convergir mais rápido que o de Jacobi, havendo casos em que isso não ocorre por compensação de erros.

Vejamos o mesmo exemplo anterior sendo resolvido pelo método de Gauss-Seidel.

Resolver o sistema abaixo pelo método de Gauss-Seidel

10 x1 +  2 x2 –  3 x3 +  2 x4 =  32
 2 x1 – 15 x2 +  3 x3 –  2 x4 = -59
 1 x1 –  3 x2 + 20 x3 +  2 x4 = -38
 2 x1 +  2 x2 –  1 x3 + 30 x4 = 160

Isola-se, da mesma maneira, em cada equação, uma variável.

x1 = (32 – 2 x2 + 3 x3 – 2 x4)/10
x2 = (-59 - 2 x1 –3 x3 + 2 x4)/(-15)
x3 = (-38 – 1 x1 + 3 x2 –2 x4)/20
x4 = (160 – 2 x1 – 2 x2 + 1 x3)/30

Sendo (0,0,0,0)T o ponto de partida, calcula-se x1 neste ponto.
x1 = (32 – 0 + 0 – 0) / 10 = 3,2
Já se usa este valor de x1 no cálculo de x2, isto é:
x2 = (-59 – 2 x 3,2 + 0 – 0)/(-15) = 4,36
x3 = (-38 – 3,2 + 3 x 4,36 –0)/20 = -1,41
x4 = (160 – 2 x 3,2 – 2 x 4,36 + (-1,41))/30 = 4,78

Chegamos ao valor (3,2 , 4,36 , -1,41 , 4,78)T
Daí a seqüência de valores:
(0,0,0,0) à (3,2 , 4,36 , -1,41 , 4,78) à (0,95 , 3,14 , -1,95 , 5,00) à
(0,99 , 3,01 , -2,00 , 5,00) à (1,00 , 3,00 , -2,00 , 5,00)
(1,00 , 3,00 , -2,00, 5,00)

Como vimos houve convergência para a solução.
Devemos repetir as iterações até que os valores comecem praticamente a se repetir, sinal de que já chegamos aos valores desejados.

SISTEMAS LINEARES - MÉTODO DE JACOBI


Método de Jacobi

No método iterativo de Jacobi, busca-se isolar em cada equação uma variável e aplicar-se a todas elas a aproximação inicial proposta, no caso (0,0,0...0), chegando-se a outra aproximação, que se espera seja melhor que a anterior. Assim, isola-se x1 na primeira equação, x2 na segunda, ..., xn na enésima equação.

x1=f1(x2,x3,...,xn)
x2=f2(x1,x3,...,xn)
.................
xn=fn(x1,x2,..,xn-1)

Em seguida aplica-se no lado direito a proposta inicial (0,0,0...0) e chega-se a nova aproximação que será o ponto de partida da iteração seguinte.
Repetindo, este método chama-se Método Iterativo de Jacobi.

Vejamos um caso concreto.
Resolver o sistema abaixo pelo método de Jacobi.

10 x1 +  2 x2 –  3 x3 +  2 x4 =  32
 2 x1 – 15 x2 +  3 x3 –  2 x4 = -59
 1 x1 –  3 x2 + 20 x3 +  2 x4 = -38
 2 x1 +  2 x2 –  1 x3 + 30 x4 = 160

Primeiramente, isola-se, em cada equação, uma variável.

x1 = (32 – 2 x2 + 3 x3 – 2 x4)/10
x2 = (-59 - 2 x1 –3 x3 + 2 x4)/(-15)
x3 = (-38 – 1 x1 + 3 x2 –2 x4)/20
x4 = (160 – 2 x1 – 2 x2 + 1 x3)/30

Admitindo-se como ponto de partida o vetor (0,0,0,0)T, aplica-se esse conjunto de valores às quatro equações dadas, buscando melhorar essa estimativa inicial. Com isso calculam-se os novos valores das variáveis.

Sendo x2 = 0 , x3 = 0 e x4 = 0 , o novo valor de x1 será x1 = 32/10 = 3,2
Sendo x1 = 0 , x3 = 0 e x4 = 0 , o novo valor de x2 será x2 = -59/(-15) = 3,933..
Sendo x1 = 0 , x2 = 0 e x4 = 0 , o novo valor de x3 será x3 = -38/20 = -1,9
Sendo x1 = 0 , x2 = 0 e x3 = 0 , o novo valor de x4 será x4 = 160/30 = 5,333...

Chegamos assim a uma nova estimativa do valor do vetor X, ou seja
(3,2 , 3,933... , 1,9 , 5,333...)T . Repetindo-se as operações anteriores com esses novos valores prosseguimos na busca da solução do sistema linear dado.

(0,0,0,0) à (3,2 , 3,933... , 1,9 , 5,333...) à (0,78 , 3,27 , -2,00 , 4,79) à
(0,99 , 3,00 , -1,93 , 5,00) à (1,02 , 3,01 , -2,00 , 5,00) à
(1,00 , 3,00 , -2,00 , 5,00) à (1,00 , 3,00 , -2,00 , 5,00)

Assim a solução do sistema de equações é :
 x1 = 1,00    x2 = 3,00     x3 = -2,00    x4 = 5,00

domingo, 6 de maio de 2012

Matriz inversa por Gauss-Jordan

Apresentação do cálculo da inversa de uma matriz não-singular como aplicação do Método de Gauss-Jordan.



Bons Estudos !

Método de Gauss-Jordan, escalonamento e sistemas lineares

O Método de Gauss-Jordan é a parte principal de um procedimento para a resolução sistemática de sistemas de equações lineares. Seu objetivo é o de escalonar uma matriz para obter a sua forma escalonada reduzida por linhas. O vídeo apresenta o método passo-a-passo através de um exemplo.


Bons estudos pessoal!